Fortaleza dos Nogueiras – MA

            Em Fortaleza dos Nogueiras tínhamos apenas uma certeza do que iríamos buscar: A Cachoeira do Macapá, a mais alta do estado do Maranhão. Segundo a secretaria de turismo de Fortaleza dos Nogueiras, a Cachoeira do Macapá tem cerca de 90 metros de queda d’água.

            Em 2017 quando viemos do Jalapão, passando por Alto Parnaíba e subindo até Forataleza dos Nogueiras e Balsas, tentamos chegar na cachoeira. Infelizmente nossa incursão foi frustrada. Nós chegamos bem num momento crítico em que havia a formação de um conflito entre os moradores da zona rural que estavam se organizando em defesa da cachoeira do Macapá e rios afluentes, preocupados com a possível construção de uma barragem na cachoeira do rio Macapá, que seria construída por uma empreiteira. A comunidade recebeu essa notícia por meio de ligações telefônicas. Que estariam sendo realizados estudos na área, para desenvolvimento do projeto de construção. Os moradores tinham ciência de que não era a primeira vez que tentavam fazer estudos na área. Há seis anos outra empresa também já teria invadido as terras dos moradores ribeirinhos para realizar os estudos, que foram parados depois de entrarem em conflito com os moradores. Como você pode imaginar, chegamos no momento mais inoportuno possível. Ainda, sem saber sobre o assunto, estávamos vestidos com roupas camufladas, algo do nosso cotidiano. Então dá para se ter uma ideia da recepção, não é mesmo? Naquela época chegamos às terras da senhora Raiumundinha (brava que só), mas hoje sabemos que é uma pessoa muito tranquila e receptiva.

            A cachoeira fica localizada na divisa dos municípios de Balsas e Fortaleza dos Nogueiras, o cânion que forma a cachoeira é limite dos dois municípios. Em períodos de chuva são formadas três quedas d’água, mas no período de seca, apenas duas, por causa da redução do volume de água nos rios mosquito e Macapá que formam a cachoeira. Ainda não é explorada turisticamente e mantém suas características naturais intactas. Há previsão da construção de um Resort. Esperamos que isso não traga impactos em demasia para o lugar. Posso afirmar que chegamos no momento certo. Agora podemos fazer valer ainda mais o sentido deste projeto que é o da preservação visual. Não podemos impedir as ações que por lá vão acontecer, mas poderemos mostrar ao mundo e tentar expressar através das imagens captadas, os sentimentos que tivemos quando por ela fomos envolvidos.

Em Fortaleza dos Nogueiras fomos recebidos pela secretária de turismo, Joilene Assunção e pelo Condutor de Turismo Jackson Agamenon, da Agência Andorinhas. Assim como nas demais cidades, uma conversa inicial para marcar a agenda dos trabalhos. Fortaleza dos Nogueiras tem uma paisagem natural muito interessante. No dia seguinte, começamos por perto da sede com base no que Jackson nos informou percebemos que Fortaleza tinha muito mais para nos mostrar. Fomos conhecer a cachoeira do Castanhão, que se encontra na propriedade do seu Antônio – homem de semblante tranquilo e uma simpatia sem igual – A cachoeira é realmente linda e de fácil acesso. Suas águas são cristalinas com tons esverdeados. Infelizmente a facilidade de acesso também traz alguns inconvenientes como a “marca” da presença humana e seu descuido com a natureza. É cobrada uma pequena taxa de visitação e, por enquanto, é permitido aos visitantes levarem comida e bebida ao local. Atitude que em conversa com seu Antônio será revista. Permanecemos por ali o suficiente para captar boas imagens. Em Fortaleza dos Nogueiras há muitas opções de turismo. Tanto de aventura como para aqueles que buscam os Resorts, este último, não faz parte do que buscamos para o nosso projeto no qual preservação da memória visual é o que importa.

No dia seguinte fomos para uma região ainda desconhecida turisticamente. O lugar encanta, fascina e faz viajar. Era aquilo mesmo que queríamos para fotografar. Ali foi possível respirar, pensar, observar, sentir e finalmente captar o momento em instantâneos que ficarão “guardados” na memória do Maranhão Profundo. Além da paisagem natural, encontramos pegadas fósseis bem na beira do riacho. Um verdadeiro tesouro ali na nossa frente. A mente viaja em saber de que animal pertencera, seria algum animal do paleolítico ou quem sabe mais recente? Não temos a menor ideia, mas o que importava era que, estava ali. Click!!!

Em Fortaleza dos Nogueira há outros sítios arqueológicos que estão sendo estudados para se ter uma identificação mais precisa dos fósseis.

Para o dia seguinte não havíamos programado nenhuma saída pois estáríamos a aguardar por Nina Aragão, jornalista e produtora do nosso Maranhão Profundo. Nina veio de São Luís para encontrar-nos em Fortaleza dos Nogueiras para então, seguir conosco até o final da primeira etapa. Ela chegou no melhor momento da nossa parada em Fortaleza. Foi quando iríamos enfim, conhecer o foco do nosso trabalho ali: A Cachoeira do Macapá.

Na manhã seguinte, preparados para uma noite acampados junto a cachoeira, debandamos da sede logo cedinho. A estrada de acesso é de piçarra, no entanto, muito boa para trafegar. O acesso a parte de cima da linda Macapá é muito fácil, mas não queríamos observar apenas na superficialidade. Era preciso contemplar a majestade. Afinal, é a rainha Mãe do Maranhão (nós a batizamos naquele momento). Na verdade, são duas as quedas, no lado direito a do rio Macapá e no lado esquerdo a do rio Mosquito. Ambas formam a Cachoeira do Macapá que depois da queda formam o rio Cachoeira. Percorremos uma trilha inicialmente bem tranquila. Ao iniciar a descida é necessário muito cuidado. Muito íngreme e perigosa por conta das pedras soltas por todo o percurso, a atenção deve ser redobrada bem como o esforço físico para manter-se firme. Ao chegar na parte de baixo encontramos com o rio Cachoeira e tivemos que nos molhar um pouquinho para atravessar suas águas (neste período do ano, seca, o rio está com o leito bem baixo). Caminhando um pouco em sua margem por uns 300 metros chegamos até o foco na nossa jornada. Magnífica, a Rainha Mãe do Maranhão desce com tanta força que forma uma núvem densa de gotículas e faz refrescar o ar quente do cerrado. É possível ficar ali, sentando por horas, sem a necessidade de palavra alguma. Silêncio na mente e no coração, observando e sentindo o lugar. Antes do ato fotográfico, contemplação e admiração. Sabíamos que ao final da tarde há uma revoada de andorinhas que têm seus ninhos nas encostas rochosas da Macapá. Segundo o dicionário de símbolos, a andorinha simboliza a esperança, a boa sorte, o amor, a fertilidade, a luz, a ressurreição, a pureza, a primavera, a metamorfose, a renovação. Entendemos isso tudo na prática, pois foi tudo o que sentimos no momento em que elas foram chegando aos bandos. Numa coreografia muito bem ensaida brincavam no ar. Aquele ballet no ar acompanhado do barulho que faziam, parecia mesmo saudação, um sinal de respeito a sua majestade, que as acolhia sob o véu que caia sobre as rochas completando aquela sinfonia. Mais uma vez, sincronicidade. Aos poucos percebemos que tínhamos a oportunidade de fazer parte daquilo tudo. Elas nos permitiram.

O sol já estava baixando e precisávamos voltar ao acampamento. Passamos a noite ao som da Macapá. Na região é muito comum a presença de onças pintadas, porém, não tivemos a boa sorte de recebê-las em nossa “casa temporária”.

 

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1 comentário Adicione o seu

  1. Joilene Assunção disse:

    Parabéns Expedição Maranhão Profundo!
    Fortaleza dos Nogueiras a cada dia fica mais encantada com o trabalho de vocês.
    Obrigada por tudo e volte sempre.

    Curtir

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